Dia épico com o Seminário Rio, cidade para todos

Por iniciativa do distrital do PCdoB da Zona Sul, da capital carioca, em parceria com a Fundação Maurício Grabois, aconteceu nesta quarta-feira, 14, a 3ª edição do seminário itinerante e multitemático: “Rio, Cidade para todos”, promovida no auditório Apolônio de Carvalho, no Museu da República. O encontro teve o objetivo de discutir problemáticas que norteiam a cidade do Rio de Janeiro, visando o melhor debate e propostas junto à sociedade carioca e outras frentes políticas e de pensamento. Foi mediado pelo sociólogo Theófilo Rodrigues, tendo como palestrantes a arquiteta Tainá de Paula, o historiador Mário Brum e o ex-ministro do trabalho Brizola Neto.

Com tema em “Cidade e Urbanismo” o 3º Seminário: “Rio, cidade para todos”, reuniu importantes referências de pesquisas em diferentes realidades no levantamento de caminhos para um Rio de Janeiro socialmente mais inclusivo e economicamente mais desenvolvido. De acordo com o mediador Theo Rodrigues, “a ideia é que sejam feitos vários debates ao longo do ano, inclusive sobre outros assuntos, como transporte, direito, cultura. Queremos um programa que possa unir as forças progressistas”, afirmou. Temas como habitação, segurança, educação, cultura e saúde foram amplamente discutidos. Principalmente com relação às suas influências socioeconômicas dentro de comunidades e favelas cariocas. Com efeito, os palestrantes também comentaram sobre os problemas que geraram a situação de penúria atual no estado.

Para a urbanista Tainá de Paula, há um importante desafio a ser enfrentado pelo próximo prefeito e governador carioca: “Qual é o ativo da nossa cidade? Como transformar a cidade? Será uma cidade tecnológica, ecologista, em qual ativo iremos apostar?”, questiona a pesquisadora. Prospectar uma saída para crise econômica no Rio de Janeiro foi um assunto que permeou a fala dos três palestrantes da noite. Tainá apontou que por muitos anos “a favela não esteve inclusa na lógica capitalista da cidade”. Por este motivo, há uma crise hídrica e de saneamento com efeitos devastadores para população. De acordo com ela, para recuperar a economia da cidade é preciso promover a revitalização destes lugares, “a inclusão social das pessoas passa por um desenvolvimento de infraestrutura geral nessas áreas”, afirmou. Sem perder o fio da meada, Tainá ainda destacou que no Rio de Janeiro existem cerca de 1050 favelas, e “é preciso que se invista cerca de oito bilhões de reais para que possamos resolver o mínimo nesses lugares. Estamos falando de esgoto, lixo, calcada e 21 mil moradias em área de deslizamento”, concluiu a pesquisadora.

A mesma linha de raciocínio foi seguida pelo ex-ministro do trabalho Brizola Neto. Ele considera que é preciso urbanizar as favelas e discutir o orçamento para isso o quanto antes. Para ele, a retomada do crescimento econômico no estado depende da capacidade de seus gestores em garantir o mínimo de condições para os habitantes de favelas. Ele avalia que a inclusão social dessa população não poderá ser apenas econômica, mas, sobretudo, “é preciso incluí-los culturalmente e com as garantias e serviços dos demais cidadãos”, pontuou. Para Brizola, “desenvolvimento econômico é para garantir expansão das políticas públicas e justiça social. O Rio precisa ter clareza sobre quais vetores irão retomar o desenvolvimento do estado. E a força das comunidades não pode ser esquecida. Será preciso investimento público para atrair empresas. E desenvolvimento da indústria cultural é uma prioridade que também precisa ser analisada”, finalizou. Neste contexto, o urbanista Mário Brum, em sua fala, fez até uma brincadeira, em tom de seriedade: “Precisamos de um plano Marshall para tirar o Rio desta situação. É preciso políticas públicas que transformem a cidade em um ambiente menos hostil”. Para ele, os grandes problemas de cidadania no Rio de Janeiro são a violência e a falta de uma política de habitação na cidade. Ele inclusive relembrou alguns dos problemas no programa “Minha Casa, Minha Vida”, e lamentou falta de soluções e políticas públicas.

Entre tantos assuntos abordados pelos palestrantes neste imenso universo sobre o que é preciso ser feito no Rio de Janeiro para que tenhamos uma cidade com uma maior inclusão social, o debate teve saldo positivo. A proposta de ouvir as demandas da população fluminense, e através do diálogo conceber um projeto de governo cujo grande objetivo é a inclusão social. O diálogo com a população, afinal, precisava voltar a acontecer. É importante que tenha acontecido no Museu da República. Primeiro por tudo o que este representa para fundação da nossa República, segundo pelo simbolismo do legado do camarada Apolônio de Carvalho. Depois, porque este país é nosso, e cuidar da nossa gente deveria ser a prioridade número um de nossos governantes.

* Matéria produzida pelo João Francisco Werneck e André Lemos

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